Ficha de Unidade Curricular
Designação da unidade curricular:
Leitura e Interpretação de Fontes
Sigla da área científica em que se insere:
Mus
Duração (anual, semestral ou trimestral):
Anual
Horas de trabalho (número total de horas de trabalho):
130.0
Horas de contacto:
Presencial (P) - TP-15.0; S-15.0
% Horas de contacto a distância:
0.00%
Créditos ECTS:
5.0
Docente responsável e respetiva carga letiva na Unidade Curricular:
Pedro Sousa Silva - 10.0h
Outros docentes e respetivas cargas letivas na unidade curricular:
Objetivos de aprendizagem e a sua compatibilidade com o método de ensino (conhecimentos, aptidões e competências a desenvolver pelos estudantes):
O1 Introduzir os doutorandos na leitura e interpretação de fontes (partituras, instrumentos, textos sobre música, catálogos, bases de dados, documentação histórica, materiais audiovisuais, entre outros) no contexto da criação musical (performance, composição, produção, etc.), promovendo o desenvolvimento de habilidades analíticas e de expressão de pensamento crítico.
O2 Expor os doutorandos à diversidade e adequação dos recursos necessários para a interpretação de diferentes tipos de fontes, incluindo notacionais, paleográficas, teóricas, organológicas, estilísticas e tecnológicas.
O3 Capacitar os doutorandos a pesquisar, selecionar e interpretar fontes relevantes para a realização de um projeto criativo.
Conteúdos programáticos:
P1 Tipologia das fontes musicais: - Fontes Escritas: Manuscritos, edições críticas, partituras, estudos analíticos e teóricos, artigos, ensaios, programas, cartas, diários, legislação, relatórios. - Fontes Audiovisuais: Gravações históricas e comerciais, registos de ensaios ou concertos, bibliotecas de sons. - Instrumentos Musicais: Históricos, modernos, tecnológicos, hardware e software. - Fontes Digitais: Bases de dados, repositórios, plataformas de streaming, bibliotecas de software.
P2 Ferramentas para interpretação: - Disciplinas e métodos: Paleografia, Notação Musical, Transcrição, Crítica Textual, Edição Crítica, Codicologia, História da Música, Musicologia, Etnomusicologia, Iconografia Musical, Acústica, Organologia, Sociologia, Economia e Psicologia da Música. - Técnicas práticas: Escuta ativa, Análise Visual, Luteria, Técnicas de Execução. - Tecnologia e análise: Computação e Codificação Musical, Análise de Dados.
Demonstração da coerência dos conteúdos programáticos com os objetivos de aprendizagem da unidade curricular:
Os conteúdos programáticos estão claramente alinhados com os objetivos de aprendizagem. O P1 oferece uma base abrangente para atingir o O1, ao introduzir os doutorandos a uma ampla tipologia de fontes musicais e à sua leitura no contexto da criação musical. A especificação das categorias de fontes promove capacidades analíticas e o desenvolvimento do pensamento crítico. O P2 complementa este objetivo ao apresentar ferramentas metodológicas, como paleografia e notação musical, necessárias para a interpretação de fontes, respondendo ao O2. A abordagem tecnológica e prática do P2 também apoia a exposição à diversidade e adequação dos recursos para análise de fontes, conforme requerido no O3. Assim, o programa capacita os estudantes para pesquisar, selecionar e interpretar fontes relevantes, oferecendo uma formação completa e integrada em suporte à concretização de projetos criativos.
Metodologias de ensino e de aprendizagem específicas da unidade curricular articuladas com o modelo pedagógico:
As metodologias de ensino e aprendizagem desta unidade curricular estão alinhadas com o modelo pedagógico do DocMus.pt, integrando teoria, prática, contexto histórico e criatividade. Privilegiam a investigação através da prática, promovendo autonomia, experimentação e desenvolvimento de competências técnicas, analíticas e criativas. A seleção das metodologias será ajustada ao perfil e interesse de cada doutorando, garantindo uma articulação eficaz no percurso académico e profissional. A unidade curricular será ministrada em sessões teórico-práticas e seminários, combinando exposição, análise crítica e aplicação prática dos conhecimentos adquiridos.
Aprendizagem Baseada em Projetos (ABP) Desenvolvimento de projetos que integram análise, interpretação e aplicação prática, como recitais contextualizados ou edições comentadas. Estimula a autonomia e criatividade, reforçando a ligação entre teoria e prática.
Estudo de Caso Análise aprofundada de fontes específicas, considerando contexto histórico, decisões interpretativas e diferenças entre edições. Aplica conceitos teóricos a situações concretas, articulando análise académica e prática artística.
Resolução de Problemas Resolução de desafios concretos, como a interpretação de fontes incompletas ou ambíguas. Estimula o pensamento crítico, a investigação autónoma e a criatividade na formulação de abordagens inovadoras.
Estratégias e Ferramentas Aulas Expositivas Interativas Exposições teóricas combinadas com discussões dinâmicas, análise de exemplos musicais (ao vivo ou gravados) e debate crítico, incentivando o envolvimento ativo dos estudantes.
Oficinas Práticas Sessões de experimentação interpretativa com instrumentos históricos ou modernos, com feedback contínuo e construtivo. Criam um espaço de prática e reflexão essencial à pesquisa artística. Ensino Colaborativo Trabalhos em grupo para análise de fontes, apresentações e performances, promovendo a troca de ideias e o debate crítico. Desenvolve competências colaborativas fundamentais ao ecossistema criativo do programa.
Recitais Comentados Performances acompanhadas de explicações analíticas e interpretativas, integrando prática e reflexão crítica. Fomentam interações significativas entre colegas e docentes, incentivando feedback construtivo.
Reflexões Escritas e Diários de Bordo Registo contínuo do progresso na leitura e interpretação de fontes, documentando decisões e aprendizagens. Incentiva a autoavaliação e o pensamento reflexivo na construção da identidade artística e investigativa.
Uso de Tecnologias Digitais Aplicação de softwares de edição musical e plataformas colaborativas para análise e partilha de materiais. Reforça a flexibilidade do ensino e a disseminação dos resultados da investigação artística.
Avaliação:
Até 31 de Dezembro, os doutorandos deverão propor e discutir um tema para a elaboração de um trabalho que envolva a consulta de um conjunto de fontes e a aplicação de métodos associados às tipologias elencadas nos conteúdos programáticos. Exemplos de trabalhos incluem, mas não estão limitados a: transcrições diplomáticas ou para-diplomáticas, edições críticas, ensaios contextualizados, projetos criativos baseados em fontes, análises comparativas de edições ou registos áudio-visuais, criação de bases de dados ou catálogos, resolução de problemas interpretativos e criação de materiais didáticos.
Até 31 de Maio, os doutorandos deverão realizar uma apresentação oral e escrita dos trabalhos, seguida de uma sessão de 15 minutos de perguntas e respostas. Esta apresentação será avaliada de duas formas:
Avaliação qualitativa: Realizada pelos colegas da unidade curricular, promovendo a troca de ideias e o desenvolvimento de competências de feedback.
Avaliação quantitativa: Realizada por três docentes do doutoramento, com base nos critérios abaixo indicados.
O objetivo desta atividade é simular o processo de revisão por pares, preparando os doutorandos para a defesa do trabalho final de doutoramento. No final do ano, os doutorandos receberão feedback detalhado por parte dos docentes, destacando os pontos fortes e identificando aspetos a melhorar.
Critérios de avaliação (a aplicar consoante a natureza dos trabalhos): Fidelidade aos originais, Aplicação de convenções, Clareza e organização, Fundamentação, Apresentação técnica e tipografia/musicografia, Qualidade da pesquisa/análise/argumentação, Originalidade, Relevância, Organização, Domínio de recursos tecnológicos, Completude, Autonomia.
Os alunos que não obtenham aproveitamento na avaliação podem submeter uma nova versão da tarefa até 30 de junho.
Demonstração da coerência das metodologias de ensino e avaliação com os objetivos de aprendizagem da unidade curricular:
As metodologias de ensino e avaliação da unidade curricular são cuidadosamente alinhadas com os objetivos de aprendizagem, assegurando uma abordagem integrada e eficaz para desenvolver nos doutorandos as competências previstas.
O O1, que visa introduzir os doutorandos na leitura e interpretação de fontes musicais, é apoiado por metodologias como as aulas expositivas interativas, que combinam teoria e prática, e pelo estudo de caso, que permite explorar fontes específicas no seu contexto histórico e técnico. Estas abordagens incentivam a análise crítica e promovem a compreensão técnica e estilística das fontes.
O O2, que expõe os doutorandos à diversidade de recursos e métodos, é fomentado por atividades como as oficinas práticas, onde são exploradas abordagens interpretativas e o uso de instrumentos históricos ou modernos. A resolução de problemas estimula a adaptação a diferentes tipologias de fontes, incluindo as notacionais, paleográficas e tecnológicas, enquanto o uso de tecnologias digitais reforça a capacidade de análise e utilização de ferramentas contemporâneas.
O O3, que se concentra na capacitação dos doutorandos para selecionar e interpretar fontes relevantes para projetos criativos, beneficia da aprendizagem baseada em projetos (ABP), onde os estudantes desenvolvem trabalhos que conectam teoria e prática, como edições críticas ou projetos criativos baseados em fontes. Os recitais comentados e as reflexões escritas apoiam a ligação entre pesquisa e execução prática, promovendo o pensamento reflexivo e a autoavaliação.
No âmbito da avaliação, o processo é igualmente coerente com os objetivos. A proposta e discussão do tema até 31 de Dezembro asseguram que os estudantes começam a aplicar desde cedo as competências analíticas e de pesquisa desenvolvidas. A apresentação oral e escrita, seguida de uma sessão de perguntas e respostas, simula o contexto académico de revisão por pares, promovendo competências críticas e de comunicação, em linha com os objetivos da unidade curricular.
A dupla vertente de avaliação (qualitativa pelos colegas e quantitativa pelos docentes) reforça o desenvolvimento de habilidades de feedback e autoavaliação, ao mesmo tempo que oferece uma análise rigorosa e construtiva do trabalho. Os critérios de avaliação - como fidelidade aos originais, fundamentação, clareza, originalidade e domínio de recursos tecnológicos - refletem as competências técnicas e criativas definidas nos objetivos e nos conteúdos programáticos.
Bibliografia de consulta/existência obrigatória:
Cook, N. (1990). Music, imagination, and culture. Oxford University Press.
Grier, J. (1996). The critical editing of music: History, method, and practice. Cambridge University Press.
Katz, M. (2010). Capturing sound: How technology has changed music (2nd ed.). University of California Press.
Leech-Wilkinson, D. (2009). The changing sound of music: Approaches to studying recorded musical performances. Routledge.
Moore, A. F. (2012). Song means: Analysing and interpreting recorded popular song. Routledge.
Taruskin, R. (1995). Text and act: Essays on music and performance. Oxford University Press.
Teicher, H. (Ed.). (2020). Sourcebook for research in music. Indiana University Press.
Observações:
[sem resposta]